quinta-feira, 8 de março de 2012
quinta-feira, 7 de julho de 2011
Na outra banda da rua... Versículo XII
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Deveras... Uma vera gata... Versículo XI
- Pode parecer estranho lhe dizer, mas, ontem, mais uma vez escondi de mim mesma. Sei q pode parecer estranho alguém q demonstra estar acima de tdo reconhecer isso. Principalmente vc q acha q eu vivo em nuvens.
- Foda-se o q vc vai achar! A verdade é q ontem pensei em sumir em mim mesma. Por isso pensei em ir até sua casa. Estava cansada de odiar o mundo e tdo o q parecia querer se aproximar de mim. Sabia q seu cheiro em meu pescoço quase me traiu? Não me interessa hastear uma bandeira para o q sentimos. Não quero outros olhares e comentários misturando maldades em uma coisa q me faz tão bem sentir. Porra! Estou confusa e não gosto de me sentir assim.
- Meu desejo é me largar em vc. Ir para bem longe da china. Mergulhar em tuas retinas e conhecer outros planetas. Quem sabe lugar nenhum, mas sermos um apenas por sermos nós mesmos. Nem precisaria se procurar a forma mais certa, o certo já seria o estar.
- Louco! Estou falando sério...
- Percebeu q tdo q se reconhece como loucura é quase sempre o mais honesto?
- Fala sério! Não fala assim. Não me ajuda em nada. Pensa q é fácil estar embriagada de vc e ter q conter ao chegar em casa, para não parecer “alegre demais” aos olhos do meu marido?
- Não posso e nem quero quebrar a ilusão e o encanto de uma história q foi escrita para ser “feliz para sempre”. Foi nela q eu apostei minha vida. Pode pensar o q quiser, mas não sei se sobreviveria sem minha família. Posso não amar meu marido, mas ele é um homem bom. Não me passa pela cabeça qq hipótese de vir a feri-lo.
- Pára! Não vê qto estou aflita? Hoje foi uma dificuldade sair de casa sozinha. Não tinha mais desculpas para sair. Ainda mais q meu marido resolveu passar o dia em casa comigo. Minha sorte foi Verônica aparecer lá em casa. Queria descansar um pouco. Jogar conversa fora. Logo inventei q ela estava com um problema seríssimo e precisava desabafar comigo. Coitada. Nem chegou a abrir a costumeira latinha de cerveja e eu a arrastei, sem dar tempo dele perguntar aonde eu iria.
Era uma vera gata... Deveras... Versículo X
Era fim de tarde de uma quarta-feira.
Acabara de sair do jornal. Naquele dia tinha fotografado o corpo de um homem aparecera boiando na praia. Como estava perto do local chegou antes q a polícia isolasse o local e os técnicos fizessem a perícia. Enquanto observava aquele corpo pelas lentes de sua câmera, ficou pensando o q havia acontecido, há qto tempo estaria morto e o qual a razão de alguém descarregar tantas balas em seu corpo.
Ficou olhando demoradamente para aqueles olhos ainda abertos e virados para cima. Eram olhos de espanto. Não espanto de horror e medo, mas de surpresa. Quem houvesse feito aquilo era alguém conhecido, concluiu.
Fez as fotos q precisava e saiu caminhando pela beira da praia em companhia de seus pensamentos. Ao longe viu o comboio policial se aproximando, e rapidamente passar por ele com suas estridentes sirenes ligadas de forma desordenada. Não entendia o porquê de tanto alarido, afinal o corpo estava lá, estendido e sem vida.
Para q a pressa, qdo nada pode ser feito para se reverter uma situação? Pq discutir o q esta posto e não tem mais solução? Nunca entendera os motivos q levavam uma pessoa a querer sair de uma situação sempre por cima. Nem pq as pessoas insistiam em debulhar os acontecimentos a procura de algum sentimento de culpa, q as ajudassem a acusar ou, resolutas e com semblantes humildes pedirem suas desculpas.
Pq não se assume claramente os defeitos com a mesma firmeza com q assumimos as qualidades? Que mania tola de nos querermos sempre perfeitos. Por isso vemos tanta neurose e paranóia já incorporada ao dia a dia. Sorrimos e demonstramos alegria, mtas vezes tentando esconder a tirania q conservamos para as caladas noites insólitas.
Entregara as fotos q havia feito ao editor de jornal. Estava tão excitado com a idéia do encontro q teria logo mais, q não conseguia pensar mais em mais nada. Nem mesmo se dar conta do agito em q se encontrava a redação naquela tarde. Nem o entusiasmo do editor subindo as escadarias da direção, todo eufórico, com suas fotos na mãos.
Chegara bem antes do horário previsto ao encontro. Nunca gostou de esperar, mas, daquela vez, pouco importava. Estava tão relaxado, olhando o tempo passar entre as pernas que passeavam apetitosas; tanto as q cruzavam exibidas entre as mesas, como as q passavam alvoroçadas pela calçada do bar.
Estava tão relaxado que demorou ouvir aquela voz q entrava como musica em seus ouvidos.
- Vc quer q eu grite? Onde vc está? No mundo da lua? Ou está esperando ela nascer por entre as pernas q passam pela rua?
Era ela q chegara. Acelerada e esvoaçante. Como sempre senhora de si, com aquele seu jeito de iluminar o espaço por onde passava.
- Cheguei atrasada, desculpe, mas o trânsito estava horrível. Muita gente no caminho. Dá cá um beijo. Bom te ver. Está é minha amiga Verônica. Advogada do Paraná q veio até Bela Vista investigar um caso. Verônica... Diego, fotógrafo...
Disse enquanto colocava os pacotes na mesa e sentava elegantemente na cadeira. E tudo isto, num único movimento. Sem perdas de tempo. Imediata. Precisa. Como diria Caetano se um dia a conhecesse: um outra vera gata, daquelas q não tem dúvidas...
Ele cumprimentou Verônica sem reparar na bela mulher vestida de jeans e camiseta básica. Nem parecia uma advogada. Nem sequer olhara. Só tinha os olhos pra ela. Não era difícil de admitir... Estava apaixonado por aquela mulher.
- Maravilhoso sentir seu olhar despindo meus desejos. Falo muito em desejo não? É q me sinto mulher com esse teu jeito de me olhar. Sinto-me completa quando trocamos pensamentos. Disse ela sorrindo.
- Sirva uma dose desse sorriso pra mim. Sem nenhum gelo. Prefiro com teu cheiro. Respondeu ele de imediato.
Não importavam nem um pouco com quem estavam a sua volta. Não q revelassem mais q a alegria do olhar. Nada além diziam. Nenhuma palavra saia de suas bocas felizes. Sorviam-se no ar. Sorrateiros.
Falaram rapidamente sobre seus dias. Conversaram amenidades e nem estranharam quando Verônica se despediu correndo, alegando estar atrasada para um compromisso. Nem sequer passou por suas cabeças insistir para q ficasse. Não pensavam em nada além do estar um diante do outro. Não precisavam justificar nada. E gostavam disso. Tdo o que vislumbravam os faziam se expor sem pensar em limites. Sabiam q aquilo era a unica maneira de se deixarem conduzir até aquele instante, naquele encontro. Não se prendiam a nada e tinham a consciência disso. Pelo menos se viam diante de uma realidade onde cada um, ao seu jeito, buscavam se reencontrar.
- Não diz nada? Disse ele provocando maliciosamente com um olhar, q ela ironicamente fez q não percebeu.
- Vou te servir uma dose do meu sorriso, mas ,antes quero provar uma dose da sua sedução. Posso?
- Ontem passei horas e horas pensando em ir até sua casa, mas achei melhor esperar este encontro. Depois... poderia até nem lhe encontrar. E vc sabe o qto eu de-tes-to ser contrariada. Disse sorrindo, enquanto conferia a impressão do seu batom no guardanapo.
Tudo era imprevisível qdo ela estava por perto. Era como o ouvir do tic-tac de uma bomba relógio, sem saber a hora exata da explosão.
Na verdade ela sempre estava a um instante de explodir. A qq momento ela poderia irromper n'algum ponto da estória. Sem pedir licença se sentia a vontade de invadir tdo e a todos com seus olhos arregalados e desafiadores. Gostava de chamar para si a atenção. Bem q poderia, mas, estranhamente se protegia de alguma coisa q nunca se permitiu revelar. Mto provavelmente a razão para nunca querer ser a protagonista de qq outra estória, senão a dela.
Sobre ela, tudo q o se venha a dizer é pouco, diante do muito q ainda se tem para descobrir.
Por isso é recomendável estar com os olhos bem abertos. Toda a atenção é pouca e necessária. Quem duvida q nesse exato momento ela tbém não esteja tramando invadir sua história?
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Entradas sem saídas... Versículo IX
Seus primeiros passos foram indecisos como os de uma criança a experimentar a sensação de caminhar pela primeira vez. Com seu o olhar entre o encantado e o desconfiado, não conseguia definir com exatidão todo aquele vendaval q dominava sua emoção. Depois do primeiro impacto de estar ali, lentamente caminhou até um dos poucos bancos vagos q havia no balcão, e q lhe dava uma visão ampla do lugar. Desse modo, concluiu, poderia observar com calma, sem ser visto. Assim teria tempo de reconhecer, ainda q de longe, quem tanto esperava encontrar.
Mais uma vez sentia sua vida no compasso de espera. Exatamente como ocorrera em tantas outras vezes, qdo se sentira passageiro da imprevisibilidade. Para ele não era nenhuma novidade a incerteza do futuro.
Acostumara-se a caminhar no escuro de um futuro sempre prestes a acontecer. No entanto, reconhecia o qto lhe custava conter a correnteza desgovernada de seu sangue a escorrer por suas veias. Por isso, mesmo q estivesse acostumado, em determinados momentos, a controlar seus ímpetos e anseios, sabia o qto estava dificil, naquele instante, controlar os lumes e impulsos da emoção.
Na verdade nunca se imaginara estar de volta aquele lugar, naquele balcão em q dividira sua solidão com o desgosto de tantos transeuntes sem rostos. Executivos abastados e embriagados. Corações destroçados e mal amados. Damas com seus decotes em chamas e almas desatinadas. Sem falar nas q, a todo custo, relutavam em reconhecer o acelerado compasso do tempo. Desesperadas, por vê-lo passar em seu galope, sem ter tempo de parar ou escutar seus lamentos.
Pediu uma dose de cachaça e um copo d'água. Depois de misturar alguns goles experimentou um alívio q só ele saberia traduzir. No mesmo instante sentiu as batidas de seu coração acelerarem o ritmo de sua emoção e tomarem conta de seu espírito. Naquele instante percebia a silhueta de quem tanto esperava, sentada numa mesa junto à porta q dava acesso ao banheiro do bar. Escondida de todos, debruçada em pensamentos, alheia, assim como ele, a todo o movimento q acontecia em sua volta.
Qto tempo esperou por aquele momento. Em qtos sonhos saboreou os sentimentos q povoavam sua mente , antecipando cenas, inocentes e obscenas, q em sua imaginação gostaria q viessem a acontecer. E agora tdo aquilo estava prestes a se tornar real. E agora ele estava ali sem saber o q dizer, sentindo acender ainda mais o seu desejo de renascer.
Ta meta go no ow nouô. Eta tchi chi na meta ono irionô. Outra vez menino florindo. Outra vez incontido sorriso. Outra vez um grito solto na garganta de um desfiladeiro q, por mais se esforçasse, não conseguia enxergar seu final. Na tame gono owno uô. Eta tchichi name taono iri onô. Sua mente silenciosamente gritava, diante do momento quase de um encontro, q parecia estar finalmente para acontecer.
Nenhuma daquelas pessoas q brindavam alvoroçadas, conseguiria compreender as cenas e as histórias q se passavam, numa velocidade alucinante, a cada segundo, em seus pensamentos. Cenas de uma vida q se mostrava descaradamente refletida no brilho de seu hipnotizado olhar. Aquele tão esperado instante do encontro, tbém era da despedida. E só ele sabia o qto lhe valia. Só ele poderia calcular o qto lhe fora duro sustentar o peso de sua verdade nos ombros. Em qtas situações sentiu os fragmentos de seu corpo entre escombros. O qto tinha valido a pena resistir às tempestades e aos ventos fortes, q por vezes pareciam levar para bem mais distante, todas as cores de uma paisagem q,pacientemente, sempre voltava a pintar com tas sobras de tintas misturadas a poeira. Por isso, a todo instante prendia suas duas mãos no rosto, segurando a respiração para não chorar. Um choro q lavava seu corpo do q se despedia, limpando sua alma para q a emoção pudesse lhe povoar.
Lá estava ele diante de sua derradeira possibilidade de vida. Diante do elo q possivelmente fecharia um ciclo de tantos anos entre a vida e desejos de morte. Homem bomba suicída a espera de sua ressurreição. Qtas vezes havia tentado. Qtas vezes achara q viria a se banhar na luz daquele túnel em q havia se metido. Tantas vezes se enganou e lamentou. Qtas achou melhor recuar, até se sentir curado. Agora estava ali, sem pensar nas dores e nos horrores q corroiam os ossos de seu espírito. Nem no gosto amargo q experimentou e percorreu, mergulhado em um silencio assustador.
Agora, nada daquilo lhe pesava ou fazia sentido. Tdo era tanto, q não conteve o sorriso. E sorriu. Sorriu mto. Abertamente. Sentia sua alma contente e seu corpo tomado de uma íntima e estranha esperança.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
La nave va... Versículo VIII
Mal o dia amanheceu um alvoroço na rua chamou a atenção de todos. Uma gritaria histérica misturava palavras sem nexos e nem sentidos, proferidas ao mesmo tempo de forma desordenada. Ninguém se entendia e nem entendia o q acontecia. Transeuntes loucos e atarantados procuravam disfarçar seus espantos e neuroses, ancorados em antigos conceitos apodrecidos, q já não faziam qq sentido, só lhes aumentavam o sentimento de frustração.
A Babilônia desencantada buscava justificativas para sua vida sem lógica e nenhum alicerce onde pudesse estabelecer um possivel caminhar.
Em meio a toda esta confusão uma figura solitária caminhava pela calçada. Parecia não olhar para nada. Ainda assim conseguia desviar seus passos daquilo q lhe parecia impróprio. A primeira vista chamava a atenção pela longa e esbranquiçada barba q lhe cubria o rosto, como uma cortina movida pelos ventos, sem procurar disfarçar o tanto de tempo q havia passado por entre elas. Embora aparentasse serenidade, seu olhar inquieto demonstrava seu desejo em encontrar uma saída q pudesse lhe tirar daquela confusão em q estava metido.
Era um sujeito diferente de todos q transitavam por ali. Calçava um sapato branco que se destacava no asfalto negro da rua. Tinha cabelos ondulados e longos, q passavam em mto dos seus ombros. Trazia em seu bolso de linho um retrato, uma caneta, um pedaço de papel rabiscado e a presença de um vício q ha tempos pensava em largar. Trazia tbém sonhos, mas, estes, a poucos gostava de revelar.
Caminhou por um longo tempo até chegar numa rua sem saída. Olhou demoradamente para o alto. Depois para os lados. Naquele momento gostaria de ter superpoderes q o permitissem desmontar o ambiente em sua volta. Tirou do bolso o retrato, e deu meia volta, tornando a guardar suas lembranças junto ao coração. Atravessou toda a rua com passos acelerados, atento aos carros q passavam sem respeitar pedestres nem sinalização.
Em q mundo nós estamos? Pensou consigo mesmo. Ninguém respeita ninguém. Onde estão os valores da vida, q tantos reverenciam ajoelhados em missas dominicais? Aonde foi q se perdeu tdo q se aprendeu? Para onde vão as virtudes? Onde elas se escondem, qdo saem de frente das câmeras de televisão?
É engraçado como nos sentimos imunes, qdo estamos protegidos pelo anonimato das multidões. A mesma voz q se arvora defensora dos bons costumes é a mesma q a transgride a ética, sem escrúpulos e nem medo de punição. Pólos distantes sem parâmetros ou identidade, máscaras de uma diversidade utilizadas de acordo com a circunstância e situação.
Estava tão absorto em sua indignação, q nem prestara atenção q havia chegado à entrada de um bar. Nem chegou a olhar para o nome, mas, tdo lhe parecia mto familiar. De fora pode perceber o mesmo balcão descascado. As mesas dispostas de forma aleatoria, com suas cadeira manchadas e amareladas. Os mesmo bêbados espreguiçando a noite mal dormida. Os operários a devorar apressados sanduiches de ovos fritos, com olhos arregalados e copos de vidro abarrotados de leite pingado.
Todos continuavam em seus transes e trânsitos sem notar sua presença. Fechou os olhos. Respirou fundo. Colocou o pé direito no degrau q dava acesso aquele lugar. Mais uma vez respirou fundo e entrou.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
domingo, 6 de dezembro de 2009
Tempos modernos... Tempos dispersos... Versículo VII
Enquanto caminhava, Diego passeava o bilhete de Iracema entre os dedos e seu olhar percorria as formas e pessoas q transitavam apressadas. Cada forma continha a sua lógica. Seu pensamento desenhava aquele momento composto de verbos em desalinho. Há tempos q buscava o calor de um ninho. Há tempos, mesmo com toda a vida agitada q levava, ele se sentia sozinho. Exatamente como cada uma daquelas pessoas q cruzava o seu caminho. Todas entoadas em toadas e seus múltiplos aspectos complexos, discretos, dilexos, sorridentes e displicentes. Uma imagem sem interferências na tela de uma TV sem sintonia, a transmitir o q se passava dentro de si naquele momento. E assim costuravam cada um suas vidas, sem compreender toda a extensão do q ainda havia por viver. Em meio aos habituais afazeres, tantos direitos e deveres seguiam e direcionavam os rumos de uma vida mtas vezes sem nexo.
Se acaso pudessem mergulhar fundo em seus pensamentos, será q ainda se mostrariam perplexos? Todo mundo sorriu com Chaplin. A despeito de tempos tão modernos, o choro q não apagou as luzes da cidade. Quase tudo é tão robótico, q eu nem sei aonde coço. James Dean desce reto ressurreto em manos browns. E tantos q ainda se acham o tal. Marcola qdo fala não enrola. Abra seu olho caolho e vê se salva a moral q há tempos se esbalda no esgoto. Todo sacana fica bacana na TV. Avôhai avons a maquiar senões. Quem ainda lembra se lembra dos anões? Tudo parece tão bizarro no olhar enfurecido do senador, mas ninguém dá bolas para o q fala Pedro Simon. Cada um continua em seu andar, carregando seu andor.
“O brejo cruza a poeira. De fato existe um tom mais leve na palidez desse pessoal. Pares de olhos tão profundos que amargam as pessoas que fitar, mas que bebem sua vida, sua alma na altura que mandar...” Z.R.
As casas coloridas tingiam o seu olhar em letreiros q anunciavam quase sempre as mesmas promoções. Diego parecia olhar sem ver. Vivia sem viver. Parecia se deixar conduzir sem esboçar qq capacidade de uma possível reação, exatamente como ocorrera algumas vezes em outras épocas, qdo não encontrava qq sentido, e assim mesmo rebuscava alguma coisa em q pudesse ancorar a razão de sua emoção. Qtas vezes se iludira. Tantas, q já nem sabia discernir o q estava a sentir naquele instante.
Preferia se calar a esboçar qq coisa à-toa, apenas por fazer valer um ponto de vista q ainda não tinha. Era como se jogasse seu corpo no leito de uma corredeira e se deixasse boiar por horas a fio. Sem perspectivas. Sem pensar na vida. Nada além de uma espera paciente, até ser lançado no próximo ato, em seu próprio precipício. Parecia ser sua única saída. Matéria nada sólida em vôo híbrido e livre. Queda suicida desmanchando-se nas torrentes águas da cachoeira. Ele q em mtas sentia-se seguro, atravessava silencioso aquele escuro. Ele, q só se permitia avançar na mínima certeza de seus objetivos, parecia abandonar-se à própria sorte. Sentia-se sem rumo e sem norte, à mercê do que não conhecia, mas invariavelmente estaria por vir. Para o bem ou para o seu mal.
Era como se a única determinação possível fosse segurar a arma em um jogo de roleta russa. Seus olhos pareciam cegos de tanto se perderem. Fixos a divagar em nenhum lugar. Nem sequer um piscar. Ele, q nunca fora de recuar percebia sua vida escapar de suas mãos. Dentro do instante quase o peito lhe doía, mas nada dizia. Nada mais lhe importava, a não ser contar de um modo displicentemente os minutos q lhe faltava para puxar o gatilho. Um instante exato e preciso. Um derradeiro e único instante, para, a queima roupa saber se haveria ou não outra oportunidade de sobreviver. Não. Não havia e nem fazia nenhum tipo de drama com isso. Era ele e seu cotidiano juízo final. Era tão somente a lúcida e crua maneira com q a realidade se fazia possível de ser.
Sentia-se cansado daquilo tudo. Cansado de tanto caminhar sem rumo. Do dar ouvidos e se deixar levar por falsas promessas e profecias q mtas vezes se deixara iludir e envolver, por curiosidade ou por acreditar q, em algum lugar do planeta haveria de respirar a paz. Naquele momento sentia-se cansado para enfrentar Iracema e todos os seus inquietos e íntimos dilemas. Ela era Clarice em seus muitos espectros dispersos e incertos. Uma vida, cuja única certeza mal cabia em sonhos. Estar com ela seria assumir todos os seus problemas. Assumi-la acarretaria em abandonar por um tempo indefinido a si mesmo. Será q conseguiria?
sábado, 5 de setembro de 2009
Preguiçosos preâmbulos... Ares de preliminares – Versículo VI
Diego tinha consciência de q aquele era um momento delicado. Um papel apertado entre dedos inquietos. Um desejo ingênuo e liberto. Um encontro q parecia inevitável. Uma página q nunca fora escrita.
Vira... Vira... Belisca priscas eras bate estaca em atrios na atmosfera.
E nada virou. Era como se o tempo, de um jeito inconsciente a houvesse marcado. Era inevitável viver. Ele sabia. Ela sentia. Tudo era lúcido e transparente. Sem alardes. Lançados em entrelaçados indivisíveis enlaces, sabiam q, embora ausentes, os sentidos certamente lhes refaziam sinuosos e presentes.
Não há senha para o sereno olhar, qdo se sabe enxergar além sereno nevoeiro. Todo universo gira em torno de si mesmo. Em escaldadas caldas derramadas. Camas e cometas. A loucura é a máxima doçura. A ternura é uma linha q se percorre às escuras, guiada pela nobreza mais íntima da criatura. Carne macia em carne dura. Braços envoltos. Jogos de cintura.
Nada de novo dentro ou fora do ovo. A gema continuava a gemer. A vida inacabada renascia todos os dias nas claras manifestações q se faziam evidentes entre eles. Entre tantos, entretanto, entre si. O espírito navegante em sua mais ampla e ilusória percepção. Depois de Lavoisier tornou-se inevitável aceitar a natureza das decepções. A química renova e conserva a essência da matéria. Puxe a cadeira q a mesa é posta sem nenhuma explícita proposta. Nem mesmo procura a empírica resposta. Não há motivo para inquietação.
Pq então aquela mulher não lhe saia da cabeça?
Não q isso o inquietasse. Só ainda não se acostumara a se sentir dependente de uma emoção sem destino na razão. Por mais q negasse. Por mais q alardeasse liberdade. Por mais q a vida os levasse por deliciosos rompantes e divertidas dissonantes, ela era, e era irremediavelmente e insistentemente presente. Eles se entendiam sementes. Bastava um repente, e mais uma vez lá estavam eles sentindo q eram para sempre.
Respiravam o tempo e suor no calor de suas palavras. A fala desnudando o falo. O fácil, farto e absurdo perfume exalando da pele rasgada em unhas cravadas sem receios ou pudor. A saia rodava sem disfarces num caleidoscópio emblemático e sedutor. Por mais q tudo parecesse exótico, e o sensor até aquele instante se revelasse ótico, nada impedia a invasão do perfume daquela fêmea em plena evolução. Exuberantes polos rastejantes pelo solo, alimentando os poros a pleno vapor. Tudo repassa pelo corpo qdo o corpo afaga. Qdo, passo a passo, o sentido passa a se sentir entre fios e meadas meladas pela natureza incontida da vida.
Naquele instante Diego repassava tudo em sua cabeça. Nenhum sinal. Nem de dor. Nenhum desamor do amor. Sabia, q nenhuma nuvem se atreveria a atravessar de maneira plena, a cena em q ela sorridente percorria. Nem sempre qdo ela aparece é uma prece. É pluma q flutua fugáz em lépida bailarina, sem fazer a menor noção de sua sina. Em sua sede, a boca brejeira gargareja a seiva em galopes q ainda não conhece, de tão sem fronteiras.
Como é bom tê-la! Balbuciou.
No mesmo instante, em algum lugar deste sulamericano continente, Chavella cantou de forma inclemente...
“Somos un sueño imposible que busca la noche para olvidarse en sus sombras del mundo y de todo. Somos en nuestra quimera doliente y querida dos hojas que el viento juntó en el otoño. Somos dos seres en uno que amándose mueren para guardar en secreto lo mucho que quieren... Somos dos gotas de llanto en una canción.”
Seria esta a razão pela qual as borboletas nunca se cansavam de voar?
segunda-feira, 16 de março de 2009
Descobertas transversas... Amantes e rompantes... VERSÍCULO V
Esse tempo está maluco. O calor está insuportável. As coisas já não são as mesmas. Os valores. As crenças. Em q você acredita? Em q se pode acreditar nos dias de hoje? Na metereologia? Você acredita no q pensa q sabe? Você acredita mesmo q o rei nada sabia?
- Muitas vezes sua opinião está certa. Porque você não procura ser mais incisivo na defesa de suas idéias?
- Iracema, eu não sou exemplo para ninguém. Basta-me ser. Ninguém precisa me acompanhar. É bom q cada um tenha a sua maneira de pensar. Saber aceitar os outros é uma forma de se aceitar. Ninguém precisa convencer ninguém, até porque não existe uma única verdade. Aceitar. Esta é a palavra chave. Palavra q abriria um universo de tranqüilidade na vida das pessoas. E não estou falando de passividade. Estou falando de aceitação das coisas como elas são. Você já percebeu q pessoas intolerantes são as q menos aceitam a si mesmos? No fundo são pessoas q ficam ocupando seu tempo em querer mudar todo mundo. Assim evitam prestar atenção em si mesmos.
Cortara os laços com uma família que só existia em certidões registradas em cartórios e em datas festivas. Desde cedo viu-se obrigado a saber de si, mesmo sem a certeza do que haveria de ser. Recém saído da adolescência, sem pai e nem mãe no mundo, sentiu na pele o peso de assumir o comando de sua vida. Vida que nunca fora fácil e continuava a não ser. Beirava os 19 anos quando o espelho se rompeu. Atordoado e com os fragmentos espalhados por todos os lados seguiu em frente, embora sentisse dentro dele um desejo de que tudo houvesse sido diferente. Sentia a falta de um colo materno e das orientações de quem o havia posto nessa vida. Mas, não havia outro jeito. Bem ou mal teria q adaptar-se àquela situação. Não poderia esperar que alguém viesse lhe abrir portas ou apontar caminhos. Sabia q agora era ele e o vazio escuro de um mundo desconhecido. Que só poderia contar consigo mesmo, fossem quais fossem as circunstâncias ou situações.

